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quarta-feira, 6 de julho de 2011

PostHeaderIcon Stephen King escreve Artigo Sobre Harry Potter and the Deathly Hallows Part 2


“Então o que aconteceu? De onde veio este Ministério da Magia?
Bem, há alguns indicadores. Enquanto os acadêmicos e os críticos de educação cabeçudos estavam gemendo que era o fim da leitura e que as crianças se importavam apenas com seus Xboxes, iPods, Avril Lavigne, e High School Musical, as crianças com as quais eles estavam preocupados estavam silenciosamente se virando para as narrativas de um tal Robert Lawrence Stine. Conhecido na faculdade como “Jovial Bob” Stine, este camarada ganhou outro apelido mais tarde, o de – ahem – “Stephen King da literatura infantil”. Ele escreveu seu primeiro livro de terror adolescente (Blind Date) em 1986, anos antes da chegada da Pottermania… mas logo não se podia olhar a lista de best-sellers da USA Today sem ver três ou quatro de seus livros subindo e descendo no top 50.
Estes livros praticamente não atraíram atenção dos críticos – até onde eu saiba, Michiko Kakutani nunca fez resenha de Who Killed the Homecoming Queen – mas as crianças deram bastante atenção a eles, e R. L. Stine surfou na onda da popularidade infantil, em parte alimentada pela emergente Internet, até se tornar talvez o autor infantil mais vendido do século XX. Como Rowling, ele era um autor da [editora] Scholastic, e eu não tenho dúvidas de que o sucesso do Stine foi uma das razões para a Scholastic apostar na jovem e desconhecida escritora britânica para começo de conversa. Ele é largamente desconhecido… mas claro, João Batista nunca teve a mesma exposição que Jesus também.
Rowling tem sido muito mais bem sucedida, em termos de crítica e finanças, porque os livros Potter amadureceram a cada volume. Isso, eu acho, é seu grande segredo (e nem tão secreto assim; para entender este ponto visualmente, compre o ingresso de a Ordem da Fênixe dê uma olhada no antes bonitinho Ron Weasley olhando para baixo ao falar com Harry e Hermione). As crianças de R. L. Stine permanecem crianças para sempre, e as crianças que gostavam se suas aventuras cresceram demais para eles, como inevitavelmente eles cresceram até não caberem nos seus Nikes infantis. As crianças de Jo Rowling cresceram… e os leitores cresceram com eles.
Isso não teria importado tanto se ela fosse uma escritora ruim, mas ela não é – ela era e é uma narradora com um dom incrível. Enquanto alguns dos blogs e a mídia popular mencionaram que a ambição de Rowling acompanhou a popularidade ascendente de seus livros, eles não notaram que seu talento também cresceu. Talento nunca é estático, está sempre crescendo ou morrendo, e versão curta sobre Rowling é a seguinte: ela era bem melhor que R. L. Stine (um escritor adequado, mas sem sal) quando ela começou, mas ao tempo em que rabiscou a última linha de Relíquias da Morte (“Tudo estava bem”), ela tinha se tornado uma das mais elegantes estilistas no seu país nativo – não tão boa quanto Ian McEwan ou Ruth Rendell (pelo menos ainda não), mas facilmente comparável a Beryl Bainbridge ou Martin Amis.
E, claro, havia a magia. É o que as crianças querem mais que tudo; é o que eles precisam. Isso vai desde os Irmão Grimm, Hans Christian Andersen, e a velha e boa Alice, seguindo aquele “toelho danado”. Crianças estão sempre procurando pelo Ministério da Magia, e elas geralmente encontram.
Um vez, na minha cidade natal de Bangor, eu estava caminhando pela rua e observei um menino de uns 3 anos com o rosto sujo, joelhos machucados e um olhar de extrema concentração. Ele estava sentado na faixa de lama entre a calçada e o asfalto. Ele tinha uma vareta na mão e estava cuturando a lama com a ela. “Venha pra cá!”, ele gritou. “Venha pra cá, poxa! Você não pode sair até eu dizer a Palavra Especial! Você não pode sair até eu mandar!”
Várias pessoas passaram pelo garoto sem prestar muita atenção (se prestavam). Eu parei, no entando, e observei enquanto pude – provavelmente porque eu passo tanto tempo dizendo pras coisas que habitam minha própria imaginação para se abaixarem e não saírem até eu mandar. Eu fiquei tão encantado com o faz-de-conta sem esforço do garoto (sempre presumindo que era faz-de-conta hehehe). E duas coisas me ocorreram. Uma foi que se ele fosse um adulto, a polícia o teria levado como um bêbado ou para um exame psiquiátrico no nosso hospício local. A outra foi que crianças exibindo tendências paranóico-esquizofrênicas são simplesmente aceitos na maioria das sociedades. Nós todos entendemos que crianças são malucas até mais ou menos 8 anos e damos um desconto pra suas mentes excitantes em que tudo vale.
Isto aconteceu por volta de 1982, enquanto eu estava me preparando para escrever uma longa história sobre crianças e monstros e isso influenciou bastante meu pensamento sobre aquele livro. Mesmo agora, anos depois, eu penso naquele garoto – um pequeno Ministro da Magia usando um galho morto como varinha – com afeição e espero que ele não tenha se considerado velho demais para Harry Potter quando estes livros começaram a aparecer. O que é possível; triste pensar que sim, mas uma coisa J. R. R. Tolkien percebe e que Rowling não percebe é que, às vezes – frequentemente, na verdade – a magia desaparece.
Foram crianças que a Sra. Rowling – como seu precursor da Rua do Medo, mas com consideravelmente mais habilidade – cativou primeiro, demonstrando com a lógica irrefutável de algo como 10 bazilhões de livros vendidos que crianças são perfeitamente capazes de deixar de lado seus iPods e Game Boys e pegar um livro… se a magia estiver lá. Que ler por si só é mágico é algo que eu nunca duvidei. Eu daria muito para saber quantos adolescentes (e pre-adolescentes) enviaram esta mensagem de texto nos dias após o lançamento do último livro: NÃO ME LIGUE HOJE ESTOU LENDO.
O mesmo provavelmente aconteceu com os livros Goosebumps de R. L. Stine, mas diferente de Stine, Rowling trouxe adultos para dentro do círculo de leitura, tornando-o muito maior. Isso não é um fenômeno único, embora ele pareça ser associado principalmente a autores britânicos (houve Huckleberry Finn, claro, uma continuação do seu irmão mais novo Tom Sawyer). Alice no País das Maravilhas começou como uma história contada para Alice Liddell, de 10 anos, por Charles Dogson (também conhecido como Lewis Carroll); ela é agora ensinada em cursos universitários de literatura. E Watership Down, a versão de Richard Adams de A Odisséia (com coelhos protagonizando no lugar de humanos), começou com uma história contada para entreter a filhas pré-adolescentes do autor, Juliet e Rosamond, durante uma viagem longa de carro. Como livro, no entanto, foi classificado como uma “fantasia para adultos” e se tornou um best-seller internacional.
Talvez seja a prosa britânica. É difícil resistir ao hipnotismo daquelas vozes calmas e sensíveis, especialmente quando elas se voltam para o faz-de-conta. Rowling sempre foi parte da tradição da narrativa direta (Peter Pan, originalmente uma peça de Scot J. M. Barrie, é um outro exemplo). Ela nunca perde o foco do seu tema – o poder do amor de transformar crianças confusas, em geral amedrontadas, em adultos decentes e responsáveis – mas sua escrita tem ênfase mesmo é na história. Ela é mais lúcida que brilhante, mas tudo bem; quando ela expressa sentimentos fortes, ela se mantém amante deles sem negar verdade ou o poder deles. O exemplo mais doce em Relíquias da Morte aparece cedo, com Harry se lembrando dos seus anos de infância na casa dos Dursley. “Veio um sentimento estranho e vazio ao lembrar daqueles tempos,” escreve Rowling. “Era como lembrar-se de um irmão mais novo que ele havia perdido.” Honesto; nostálgico; não desleixado. É um pequeno exemplo do estilo que permitiu a Rowling a construir a ponte entre as gerações sem se esforçar ou perder a dignidade alegre que é um dos grandes charmes da série.
Seus personagens são cheios de vida e bem desenhados, seu ritmo é impecável, e embora haja quedas de continuidade ocasionais, a história como um todo se mantém quase que perfeitamente sólida ao longo de suas 4.000+ páginas.
E ela tem total controle daquela famosa sagacidade seca dos britânicos, como quando Ron, tentando sintonizar em um canal de notícias pirata num rádio bruxo, capta o refrão de uma música pop chamada “Um Caldeirão Cheio de Amor Quente e Forte.” Deve ter sido alguma versão bruxa de Donna Summer cantando essa aí. Há também sua paródia sagaz dos tablóides britânicos – que ela com certeza conhece bem – na pessoa da Rita Skeeter, talvez o melhor nome dado a um personagem fictício desde aqueles de Jonathan Swift. Quando Elphias Doge, o perfeito cavalheiro mágico britânico, chama a Rita de uma ‘truta metida’, eu tive vontade de me levantar e aplaudir. Toma isso, Page Six [coluna de fofocas do jornal New York Post]! Há muita carne nos ossos destes livros – boa escrita, sentimentos honestos, uma visão doce, porém firme, da natureza humana… e realidade dura: A MINHA FILHA NÃO, SUA VACA! O fato de Harry ter atraído adultos tanto quanto crianças nunca me surpreendeu.

Maravilhosa perspectiva de Stephen King sobre a nossa vida, não? Se você realmente acredita em tudo que este gênio da literatura de suspense e terror disse, junte-se à nós.

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